A informação perfeita?
Alguns tempos atrás eu discutia com o Anthuan sobre a informação 100% confiável e como ela jamais é alcançada, seja você o emissor da informação ou o receptor.
Imagine o seguinte: Você está indo almoçar e vê na esquina do seu prédio um carro atingir uma pessoa. Qual das seguintes opções é verdadeira?
- O motorista atropelou o pedreste quando este iria atravessar a rua
- O motorista atingiu um pedestre que perdeu o equilíbrio e foi para no meio da rua
- O motorista não conseguiu desviar a tempo quando o pedestre pulou em frente ao seu carro
Veja que em todos os casos apenas uma coisa é verdade, um carro atingiu uma pessoa. Mas quem diz exatamente o que aconteceu? Você acaba de presenciar o fato e assim mesmo você não poderá passar uma informação 100% confiável. E mais, se você que viu o acidente não pode dar 100% de certeza no que falar, como uma pessoa que ouvirá esta história de você poderá ter 100% de certeza?
Hoje a gente sofre de um excesso de informação na mídia, somos literalmente fuzilados por informações vindo de todos os lados. Quem aqui não tem o seu leitor de feeds com “alguns” blogs e sítios de notícias? Qual a maneira de tentarmos chegar ao limite da verdade? Eu costumo ler a mesma notícia em pelo menos cinco canais diferentes de informação, incluindo blogs e sítios clássicos. Porém, em quem confiar?
Os meios clássicos (jornais, revistas etc) sofrem daquela falsa imparcialidade, aonde eles querem mesmo é agradar os empregadores. Os blogs sofrem parcialidade - aliás, o que seria deles sem essa parcialidade? - mas sofrem de um excesso de opinião o que prejudica a informação. Dentro do que temos disponível, no que podemos confiar de verdade? Este post por si se você quiser acreditar ele não passa toda a verdade do que eu penso já que eu como emissor não consigo passar 100% do que eu sei e/ou penso para você pelo simples fato que nem tudo que sentimos é passível de ser expressado em palavras.
Não sei quanto à você que lê este meu humilde blog, mas eu infelizmente desacredito na informação 100% confiável, afinal, nem na sua mais pura forma ela assim é.
Termino com uma frase do Orson Scott Card que eu acho de grande relevância:
Knowledge is just opinion that you trust enough to act upon.


3 respostas para “A informação perfeita?”
Anthuan
Não é diferente de jurar dizer a Verdade num tribunal. É obviamente inatingível, mas não é por causa disso que devíamos deixar de nos guiar por parâmetros de perfeição. Conseqüentemente, ser o mais claro possível ao transmitir e o mais crítico possível ao receber é sempre de suma importância.
Victor Franco
Muito bom o assunto. Estamos presenciando um episódio de extrema cobertura por parte da imprensa do país, que a partir do primeiro momento fez questão de bombardear os informados com seu pré-julgamento dos fatos e dos investigados. Agora os fatos levam a acreditar que a imprensa estava de fato correta, mas e se não estivesse? A imprensa formal teria a dignidade de assumir, em todos os meios, que errou? Claro que não! Nunca fizeram isso. No máximo uma nota no último minuto da transmissão ou no editorial.
Nesse ponto, os blogs são o que há de mais espetacular na transmissão de informações, ao passo que abrem espaço para a discussão (no bom sentido) e até para a correção daquilo que foi postado incorretamente. Também quando há um erro grave, geralmente os autores fazem ou novo post ou editam o errado com uma mea culpa. Assumir o erro é algo comum e mostra seriedade. Pena que a imprensa forma ainda não aprendeu isso, se limitando aos projetos de ombudsman que vemos por aí.
Rev. Peterson Cekemp
Os dois comentários acima foram muito bons. A diferença que há entre o jornal e o blog é justamente a caracterização dele: o blog assume que é a expressão de uma opinião, é sim uma coisa pessoal e portanto a pessoa deveria ter um ceticismo mais elevado com o que lê. Entretanto as pessoas (a maioria que já quase não tem o tal ceticismo) que lêem os jornais baixam a guarda. Nele elas reconhecem objetividade, quando na verdade são tão subjetivos quanto os blogs. E aí que está o problema. A roupa dos jornais querem sempre passar a impressão de que possuem imparcialidade, quando esta é uma fábula. Pelo menos os blogs admitem a parcialidade.