A Internet não é levada a sério. Deveria.

Ontem estava vendo uma reportagem no Jornal Nacional e falava sobre golpes de engenharia social aonde pessoas perdem dinheiro etc e tal. Em um ponto da reportagem começaram a fala sobre a divulgação de imagens de pedofilia na Internet em sites de relacionamento, como por exemplo o mais famoso do Brasil, Orkut.

Um delegado comentou que ele mandava um documento que parecia ter muitas páginas pros juízes que iriam julgar qualquer tipo de crime na rede para que eles pudessem fazer o melhor trabalho possível, coisa que seria muito mais simples se eles engolissem o próprio orgulho e começam a chamar pessoal especializado para dar o parecer técnico sobre as coisas, mas sabe como é né?

O ponto fica “divertido” quando o delegado fala que é difícil conseguir que o Google (poderia ser outra empresa) revele informações sobre os acessos, usuários, páginas ou qualquer coisa dos seus servidores, e alega que isso é muito simples e não entende porque eles demoram ou às vezes se negam.

Espera, espera! Quer dizer que a minha privacidade na Internet é menos valiosa que digamos, minha privacidade telefônica ou bancária? Eu sei que é necessário uma ordem judicial para conseguir que provedores de conteúdo ou acesso entreguem determinadas informações assim como é necessário que as companhias telefônicas e bancos recebam uma ordem judicial também mas o ilustríssimo delegado deixa a entender que a Internet é brincadeira e logo, deveria ter tudo aberto pra todo mundo.

Que me desculpe o “sinhô” delegado, mas minha vida na Internet é muito mais importante que meus registros telefônicos. Hoje faz-se compras, reservas, produção de textos, produção de vídeos etc etc etc. Eu poderia listar por linhas e linhas muita coisa que só foi possível, ou muito facilitada, pela Internet, e vem um delegado dizer (nas entrelinhas) que isso não deve ser levado a sério?

Depois que pessoas como o Cardoso (trackback “usurpador”) ou o Victor (eu tinha lido o post antes de dar problema!) reclamam da velha mídia e seus métodos burros e pré-históricos de funcionar algumas pessoas os taxam de idiotas. Veja aí um exemplo básico de como é o pensamento de muitas pessoas: A Internet é um brinquedo.

Enquanto essa visão não mudar pode ter certeza que as pessoas continuarão a achar que um pedaço de papel impresso com as informações “pelas metade” vale mais do que um blog aonde a informação além de poder ser retificada tem o adendo de um número ilimitado de pessoas para contribuir.



7 comentários em “A Internet não é levada a sério. Deveria.”


Victor Franco
30/05/2008 13:53

Fico muio feliz por você ter lido o post.
Depois do problema que tive (e que ainda gera reflexos) com meu antigo servidor é que eu fiquei sabendo que para fazer a transferência de domínio eu dependia de um código e que eu dependia da boa vontade deles para me liberar esse código. Isso mostra que mesmo tendo pago pelo domínio eu não era completamente o dono.
Quanto à privacidade dos dados de e-mail, orkut ou seja lá o que for na internet, do ponto de vista legal seria muito complicado garantir esse direito, pois qualquer pessoa pode criar uma conta Google e colocar o nome que quiser no orkut. Assim, como saber a quem efetivamente resguardar esse direito? Não há obrigatoriamente uma vinculação entre a vida real e a vida digital do cidadão.
Isso complica também na hora da culpabilidade de quem comete crimes virtuais, pois deve-se ter uma certa materialidade nas provas apresentadas.
Isso é um tema que ainda deve evoluir muito até que se chegue a um modelo eficiente de privacidade versus controle dos usuários da rede. O certo é que deve haver um meio de em casos de ilegalidade definir quem é o autor; e de se manter a privacidade daqueles que agem na lei.



Victor Franco
30/05/2008 13:54

Ah vc mudou o tema do blog né? Gostei muito de como ficou. Parabéns!



Anthuan
31/05/2008 09:00

A diferença é que você não tem como fugir do Leão, naquilo que tange sigilo financeiro. E nem das telecoms, no caso do sigilo telefônico. Já o sigilo de internet… ah, esse é bem fácil de conseguir. One way or another, se a paranóia impera, então use a tecnologia a seu favor, não contra você.



paulo ruthes
31/05/2008 12:36

Mas a questão não é a paranóia per se. Eu acho que as autoridades deveriam ver que a Internet não é um brinquedo aonde as coisas que são feitas são “sem valor”. Privacidade é um conceito muito relativo e como você mesmo disse, eu posso simplesmente utilizar tecnologias para me ajudar. Ou optar por não usar.



Victor Franco
31/05/2008 16:29

A CPI da pedofilia pediu que os maiores nomes da Internet consigam uma forma de tornar as identidades das pessoas na Internet mais sérias. Espero que o bom senso impere e que tenhamos soluções positivas para todos.

PS: Enquanto meu blog está fora do ar por causa da transferência de domínio eu vou comentando nos dos amigos.



Santaum
01/06/2008 21:55

Profissionalmente, eu levo a internet a sério. Entretanto levo meu blog como uma farra da peste, hehehehehe….. (5 pontos)


[...] se fosse irreal ninguém reclamaria de ter perdido 200 dinheiros. Isso é complementar ao que falei aqui um tempo atrás, de como não é levado a sério algo que involve pessoas. Os meios não importam, [...]


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