“In God we trust”
Estava eu no meu roteiro diário que consiste em voltar do Centro para Joinville Jardim das Américas, curtindo o movimento completamente suave do ônibus quando uma cidadã pediu ao motorista que ele parasse na esquina anterior do ponto pra ela.
Normalmente eu acho uma bela duma sem-vergonhice ficar pedindo para os motoristas desembarcar as pessoas fora do ponto determinado, mas nesse caso eu sou obrigado a dizer que mais sacanagem era fazer a mulher ir pro outro lado daquela avenida cujo semáforo é pra inglês ver.
O motorista como uma boa pessoa (para comparação, que fique claro que eu não sou uma dessas pessoas) que é parou antes do ponto e abriu a porta para a mulher descer. Quando ela estava descendo o diálogo seguiu desta maneira.
- Obrigado motorista!
- De nada senhora…
- Que Deus lhe abençoe! Amém por ter parado antes!
- Certo…
O que tem de certo nisso? Deus fez o motorista parar antes da hora para que ela pudesse seguir o seu caminho? Quer dizer que se ele não tivesse parado ela teria amaldiçoado ele e toda a sua família? Eu não consigo compreender qual toda essa necessidade das pessoas em expressarem sua religião de modo a praticamente forçá-la nas pessoas ao seu redor.

photo credit: Better Than Bacon
Veja, eu não ligo a mínima para a religião de ninguém; Caralho, a pessoa pode até ser satânica que eu não dou a mínima. O que eu ligo é quando as pessoas forçam sua religião em cima dos outros sem que as pessoas peçam. Você pode garantir que a outra pessoa não vá se ofender com os seus comentários? Claro, ofender-se com isso também é uma coisa de mente fechada, mas vá lá.
É aquela porra do livre arbítrio manja? Cada um faz o que bem entender da vida. Nas suas devidas proporções, claro. Olhando bem, isso vale pras máximas que não se discute: Religião, futebol e política.
3 comentários em ““In God we trust””
Anthuan
05/07/2008 19:16
Meu, ela só foi educada. Ela podia ter dito “Couve-flor, martelo avestruz” e o motorista ainda podia ter respondido a mesma coisa - ou mesmo ter ficado em silêncio - e o diálogo ainda faria sentido.
De mais a mais, há coisas que já são expressões idiomáticas desconexas de qualquer credo. “Graças a deus” por ter conseguido algo, ou “Nossa senhora” quando leva-se um susto são coisas bastante normais de serem ditas ou, no mínimo, pensadas.
Teria sido bastante diferente se ela tivesse pedido um ônibus só pra ela, ou pedido para a pessoa que estava sentada do lado dela mudar de banco baseado nisso.
Rev. Peterson Cekemp
05/07/2008 20:29
É verdade - Para Paulo e para Anthuan. Concordo e disconcordo… Religião se discute sim, porque se você for por esse caminho, de próxima-geração-ignorante a próxima-geração-ignorante o Mundo volta à idade média e à teocracia. O problema é: a religião é uma idéia que já tem esse sistema de “espalhe a palavra” embutido. Não dá pra ficar quieto nessa de “cada um com a sua religião” porque é da natureza das religiões NÃO deixar cada um com a sua.
Quanto a agradecer… Humm eu não me sinto ofendido, eu sinto mais é pena da pessoa. Mas sim, cristãos e evangélicos muitas vezes são chatos, irritantes, porque eles vão falando com vc bem felizes e usando os termos religiosos, porque eles simplesmente supõe que vc seja religioso também. Se você conta que é agnóstico, ateu, etc, eles já ficam com uma cara azeda. É isso que irrita, é por isso que eles são FOLGADOS: eles já vão ’supondo’.
Mas, enfim, a mulher ali até que agradeceu =P eu também de vez em quando falo expressõezitas tipo “Meu Deus” ou “Nossa Senhora”. Antes de largar o vício totalmente, eu estou fazendo outra coisa: falar só Nossa Senhora. Porque essa pode significa Éris também ^^ Aí depois eu tento mais algo como “Minha Éris” ou “Discórdia” ou coisa assim…
Victor Franco
06/07/2008 22:21
Eu acho que religião se discute sim, mas em locais apropriados e sem fanatismo, como todos os assuntos carregados de subjetividade.