O “do momento” é falar da reforma ortográfica da língua do pastelzinho de Belém. Eu acho que a reforma tem o seu valor cultural, político e econômico (imagine a quantidade de novos livros que serão comprados para colégio) e, para o bem ou para o mal, acontece. Pior é o que eu resolvi chamar de puxadinho da língua portuguesa.
Desde que eu me lembro por gente na interweb e comecei a usar serviços para conversar online – notavelmente IRC e ICQ – as pessoas procuravam maneiras alternativas de economizar o quanto tinham de digitar. Posso até ir mais longe e lembrar quando meu pai enviava “emails” dentro dos terminais burros de acesso ao mainframe do banco e como não tinha acentuação usava coisas como ateh, serah e nao.
No começo, as pessoas faziam isso mesmo. Economizavam acentuação, até porque existia alguns problemas de codificação de caracteres naquela época então as coisas poderiam aparecer de maneira incorreta para a outra pessoa ou simplesmente cortar acentuação diminuia o tempo de digitação – ponto positivo se você tinha conexão por linha telefônica convencional e cada minuto era um minuto a mais que sua mãe descobriria que você estava “ilegalmente” online (a não ser que você seja um dinossauro e estava online por conta própria e hoje se acha Deus).
Começou com coisas simples como nao, tc, kct e por aí vai. Até que alguém achou que seria legal escrever o não sem acento mas manter o mesmo som: naum. Ora pois vejamos: Naquela época a codificação explicaria porque não acentuar e ainda manter o mesmo som apenas por capricho. Hoje não e ainda existem pessoas que escrevem naum ao invés de não ou nao. Se há uma diferença deve ser pífia e irrelevante já que na maioria dos teclados no Brasil – padrão ABNT2 – o número de teclas que você aperta para escrever naum e não é exatamente o mesmo.
Tudo bem, eu vi coisas mais bizarras do que naum nos meus tempos. Eu tinha um amigo que para escrever cara ele escrevia krá. É aceitável porque algumas pessoas realmente acham que isso vale a pena pro seu ego ou qualquer que seja a sua vontade. Amém.
Agora, você ver coisas como comofas e meldels é de doer na alma. Eu me deparei com isso a primeira vez não faz mais que 6 meses e deixei de lado. Hoje me deu na telha de ir atrás e descobrir que desgraça humana era essa porque até agora eu tava literalmente boiando no oceano da informação (definições dos anos 90 apavoram!). Qual não foi minha surpresa ao descobrir que além de tudo isso era chamado de tiopês. Tinha nome a cria.
Li, li e li. Não entendi. Alguns lugares dizem que começou como um método de sarcasmo com as pessoas que falam de maneira altamente esdrúxula na interweb. Outros dizem que foi uma coisa de um círculo fechado (panela) que se deflagrou. Alguns ainda dizem que era uma coisa séria (sério?) que virou modinha no Orkut e portanto era tosco.
Se era sarcasmo não funcionou. Na minha terra o sarcasmo funciona quando a outra pessoa entende que você originalmente está sendo sarcástico. Toda vez que eu li algo em tiopês eu só consegui concluir que a pessoa era um completo acéfalo e/ou tinha um senso de humor pior do que o meu. Se era coisa de panelinha, piada interna tem menos graça ainda. Que piada interna que funciona fora do círculo original? Não é por acaso que se chama piada interna seus gênios.
Agora, se era algo sério, bem, que Deus tenha piedade da alma das pessoas que tiveram essa brilhante idéia de destruir a língua portuguesa para o bem dos tubos. É simplesmente ridículo ao ponto de se tornar retardado. Uma alteração de modo a acelerar uma conversa seria perfeitamente aceitável. Eu mesmo escrevo pq, p/, lol e coisas do gênero. Mesmo assim eu evito ao máximo escrever coisas erradas. É o puxadinho da língua portuguesa.
Bobagens, Interweb
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