Faz pouco mais de seis meses que me interessei por música erudita a ponto de ter algumas composições em CD, devidamente ripadas no laptop para apreciação no conforto da mesa ou no super-ônibus curitibano. Se for analisar minha evolução musical, é um tanto quanto interessante que tenha chegado neste ponto levando em conta que o primeiro estilu estilo musical que eu gostei na minha vida foi Nu Metal.
A bem da verdade é que eu compreendo de nada para coisa alguma sobre as construções, movimentos, tons, notas e tudo mais que é relacionado à música erudita. Eu gosto de ouvir, pura e simplesmente, a obra inteira em execução. Eu me emociono toda vez que escuto Eroica, e não é porque eu entendo todas as nuances utilizadas na execução/composição. Acredito que é justamente porque eu não entendo que talvez eu aprecie mais ainda uma execução destas.
Quando eu vejo como fui parar para ouvir este estilo de música (veja que eu nem classifico em sub-gêneros como Barroco, Renascença, Romantismo etc) eu me divirto. Um dia, parado dentro da Saraiva depois do almoço, olhando pra lá e pra cá nos CDs e Livros - como sempre - eu parei na seção de música erudita, olhei uma coletânea de 6 CDs de Vivaldi por “miseráveis” R$39,90. Vi que tinha As Quatro Estações e pensei que seria uma boa idéia levá-lo.
Meu primeiro erro foi no momento que eu pensei em ripar para o laptop e percebi que era (ainda é) um esforço descomunal para corrigir os metadados de cada música, movimento e tudo mais. Enquanto eu escrevia este texto eu percebi também que eu coloquei as notas musicais na escala C, D, E, F, G, A, B (C) enquanto escrevi o resto em português, sendo que no Brasil nós utilizamos a escala Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si (Dó). Como já disse, eu não entendo muito da parte teórica então talvez eu esteja enganado mas não acho que faça muita diferença (só fazer uma conversão).
Meu segundo erro foi insistir em escutar enquanto me concentro em outras coisas. Isso é possível (apesar de errado também) quando a música é mais simples, sem um trabalho grande por trás e principalmente, quando tem menos de 5 minutos no total. Quando eu vi que não conseguia entender a música enquanto estava fazendo outras coisas foi que eu percebi que eu devia era sentar no meu quarto e, de fato, apreciar a música como um todo.
Meu terceiro, e até então último erro, foi achar que mesmo execuções de maestros e orquestras diferentes de uma mesma peça não teriam diferenças grandes demais para serem notadas. Eu percebi isso claramente quando escutei a Coral em duas execuções diferentes e fica evidente a diferença de interpretação das pessoas para uma mesma composição. Tá, não é tãããão diferente assim, mas perceptível mesmo para um leigo como eu.
Mas o que mais me surpreendeu foi que eu achava que este tipo de apresentação custava um dos olhos da cara e mais um pedaço do fígado (regenera né?) para poder assistir. Vi que há apresentações aqui em Curitiba mesmo que não passam dos R$20,00. Duvido que se viesse uma daquelas filarmônicas ultra-mega-famosas custaria o mesmo preço mas provavelmente seria mais aceitável que os “míseros” R$600,00 para ver o BB King.
Quando eu parei e pensei sobre este texto, e como eu me divirto em escutar música, eu percebi que eu realmente não tenho afinidade para executar isto, que meu propósito nisso tudo é apreciar. Não é preguiça e nem medo de falhar. Apenas o fato que eu sei que eu aprecio melhor do que executar, em especial porque eu não estou me prendendo aos conceitos teóricos e práticos da música erudita. Estou apenas apreciando.
